Mostrando postagens com marcador Doenças Raras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Doenças Raras. Mostrar todas as postagens

04 junho 2012

O Instituto Baresi entrega hoje ao Ministério da Saúde!

Alex Garcia | 04.06.12

O Instituto Baresi entrega hoje ao Ministério da Saúde, no GT de Doenças Raras, o mais completo relatório já realizado no Brasil a respeito da questão das doenças raras no país. Os critérios utilizados para confecção da base de dados do Instituto Baresi, desenvolvido pela professora Adriana Dias, valem-se dos parâmetros recomendados pela Eurordis[1], visto que não há recomendações brasileiras, ainda.

Os primeiros dados apontam para uma situação ainda mais grave do que a estimada: devido a falta de aconselhamento genético muitas famílias tem o terceiro filho com a mesma doença, os idosos com raras são ainda mais subnotificados do que era possível imaginar e a subnotificação é alarmante. A boa notícia é o excelente papel desempenhado pelas associações brasileiras de pessoas com raras e, é claro, das universidades. O Instituo apresenta ainda sugestões de como pode ser agilizado a política nacional de raras no país.

Cópia e versão resumida do relatório pode ser solicitada a instituto.baresi@gmail.com ou pelo telefone 11 9774-0738 com Hugo Nascimento.

20 maio 2012

Instituto Baresi quer mudança no GT de Doenças Raras do Ministério da Saúde

Neste ano o Ministério da Saúde constituiu um Grupo de Trabalho (GT) para estudar os temas relacionados às Doenças Raras (DR).
Foto do GT: Internet
O Grupo de Trabalho tem a seguinte composição:
- Ministério da Saúde: Alzira de Oliveira Jorge, Marcos José Burle de Aguiar, Jose Eduardo Fogolim Passos e Vera Mendes;
- Médicos Especialistas: Dra. Dafne Dain Gandelman Horovitz , João Gabriel Daher, Francis Galera e Dr. Cláudio Santilli.
- Sociedade Civil: Sidney Castro – AMAVI, Regina Prospero – APMPS, Marta Carvalho – ABG e Adriana Dias – Instituto Baresi
- Suplentes: Priscila Torres – Grupo EncontrAR, Marlene Sturm – Instituto Canguru -Wilson Gomiero – Febrapan/Gatem, e Désirée – SED Brasil.
Segundo Alex Garcia, Coordenador do Núcleo Regional do Rio Grande do Sul do Baresi, o êxito do trabalho requer mudança imediata na formação do GT. Diz ele, que, atualmente, o Grupo não possui especialistas elementares para o estudo de doenças raras; como Neurologistas afirma, também, que os membros não representam a diversidade continental do Brasil; e, por fim, por não terem nenhum membro do Norte e Nordeste, diz que o Grupo é fechado na área da saúde, sem articulação com as demais áreas do governo, como preza a Convenção.


Vejamos, na íntegra, o conteúdo a 2ª solicitação feita pelo Coordenador, Alex Garcia, ao Ministro da Saúde.



"Senhor Ministro da Saúde, Mais uma vez escrevo para solicitar esclarecimentos e propôr, sobre O Gt de doenças raras. Como cidadão brasileiro e como pessoa com doença rara tenho este Direito. Esta é a segunda mensagem que remeto ao Senhor. Espero agora receber respostas e/ou comentários!

Sou Alex Garcia. Membro da Abg e do Baresi. Os questionamentos São:

1- Porque ter tantos geneticistas? nenhum neuro? se cerca de 25 por cento das dr tem comprometimentos neurológicos? com a saída de um integrante titular especialista abre-se espaço para um neurologista. é de suma importância para as pessoas com de um neurologista e um nefrologista como segunda opção.

2- GT que pretende desenvolver políticas públicas para o brasil tem seus integrantes concentrados em São Paulo e Brasilia? o GT possui integrantes titulares fora deste eixo ou não? isso procede ou não procede? o MS poderia com facilidade desenvolver parcerias com as secretarias de saúde dos estados e formar grupos estaduais em DR. Porque concentrar os poderes em São Paulo e Brasilia? esta mesma forma de agir que se perpetua na história e já demonstrou ser um grande fracasso para um país continente como o Brasil. Indicamos Alex da AGASPAM RS e SAYAKA de PE. É importante que a FEBER participe e que WILSON seja titular e não suplente.

3- Quantos são de fato, integrantes do GT, que são pessoas com doenças raras? a tese que levanto de o MS desenvolver parcerias com as secretarias de saúde dos estados e formar grupos estaduais em "DR" seria a oportunidade de pessoas com doenças raras, de todo o brsail, serem agentes deste processo, serem gentes e colaborarem com seus saberes, acadêmicos e de vida, para com esta política pública.

4- Percebo que o MS possui uma visão puramente "médica". Apesar de ser Ministério da Saúde é de suma importância que a educação, a comunicação e a acessibilidade tenham lugar neste GT. O MS está caminhando pelos mesmos caminhos "KÁ" conhecidos e insuficientes. Em países modernos a educação, a comunicação e a acessibilidade, caminham de mãos dadas com a saúde para o real desenvolvimento de políticas sociais, como descreve atualmente o governo brasileiro, porém o MS não reconhece tais perspectivas em um GT de doenças raras. talvez seja necessária a presença de um representante do MPF..."


"Para Elza Sayaka Fukushima, Coordenadora do Núcleo Regional de Pernambuco do Instituto Baresi, os fatos presenciados na reunião do GT (16/04), em Brasília-DF, levaram a coordenação a exigir do Ministério da Saúde que convide e integre ao GT um representante do Ministério Público Federal, com experiência e conhecimento na política pública e defesa dos direitos difusos das pessoas com deficiência.
Também, foi organizado um abaixo-assinado (Petição Eletrônica) para mobilização social e para exigir do Ministério da Saúde a inclusão no GT de representante do Ministério Público, para acompanhar a atuação do grupo.


Todas as pessoas que se interessam pelo assunto ou que queiram ajudar podem assinar o Abaixo-assinado acessando o link a seguir.
http://www.ipetitions.com/petition/doencas-raras-e-direitos-humanos/


Orientações do Alex Garcia para assinatura

1- ENTRE NO SITE -
2- BEM NO FIM DO TEXTO DIZ ASSIM: SIGN PETITION
3- MAIS ABAIXO TEM:

NAME - VC COLOCA SEU NOME
EMAIL - VC COLOCA SEU EMAIL
COMENTS - VC ESCREVE COMENTARIO. EU ESCREVI SOU DO ESTADO DO RS
4- ENTÃO VC CLICA EM SIGN NOW
5- PRONTO. VOCÊ ASSINOU. FECHE A PÁGINA!
(não há necessidade de fazer qualquer tipo de doação)

11 maio 2012

Alex Garcia faz chamamento para o Instituto Baresi

Alex Garcia | 10.05.13


COLEGAS. ESPERO ENCONTRAR A TODOS BEM! ESTA MENSAGEM É PARA CONVIDAR Á TODOS A INTEGRAREM O INSTITUTO BARESI E JUNTOS LUTARMOS POR MELHOR QUALIDADE DE VIDA PARA AS PESSOAS COM DOENÇAS RARAS!
PARA SER VOLUNTÁRIO (A) ACESSE:
PARA CADASTRAR SUA ASSOCIAÇÃO ACESSE:
MAIORES INFORMAÇÕES PELO E-MAIL
CADASTRE-SE. PRECISAMO DE TEU APOIO!
Ajude financeiramente. Você pode fazer um depósito avulso, de qualquer valor, no Banco Bradesco, Ag. 0156-2, C/C 202601-5 CNPJ: 14.810.789/0001-50 Instituto Baresi
Doe livros em bom estado para o Instituto Baresi revender: Escreva para instituto.baresi@gmail.com, colocando no assunto do e-mail DOAÇÃO DE LIVROS.
Seja um MANTENEDOR OU UM AMIGO DO INSTITUTO BARESI, com contribuições anuais. Fale com Hugo Nascimento, pelo e-mailhugo.nascimento@agenciararas.com.br Seu nome constará de uma página especial do Instituto Baresi, e você ajudará 13 milhões de brasileiros. Se você preferir, opte pelo anonimato.
Cadastre sua empresa como empresa parceira. Há várias formas de parcerias possíveis. Fale com Marcelo Melo, pelo e-mailmerlo@agenciararas.com.br
Abraços Fraternos
Alex Garcia
Coordenador do Núcleo Regional do Rio Grande do Sul pelo Instituto Baresi

01 maio 2012

Governo estuda política de atenção a doenças raras

Mariana Versolato | Folha | 01.05.12

Falta de protocolos que orientem o atendimento leva pacientes a procurarem a justiça para obter remédios.
Política de tratamento de problemas genéticos, que respondem por 80% das doenças raras, está emperrada há anos

Representantes do Ministério da Saúde, médicos e associações de pacientes se reuniram na semana passada, em Brasília, para tentar criar uma política de atenção às pessoas com doenças raras na rede pública.

O encontro instituiu um grupo de trabalho com 12 integrantes (quatro do Ministério da Saúde, quatro especialistas e quatro de associações de pacientes) que ajudará a discutir um modelo de atenção integral às pessoas com doenças raras no Brasil.

Trata-se de outra política para um grupo semelhante de doenças. Em 2009, foi publicada a portaria que instituiu a Política Nacional de Atenção Integral em Genética Clínica no SUS, mas até agora as ações não saíram do papel, como mostrou reportagem da Folha em 20 de fevereiro deste ano.

Segundo Marcial Francis Galera, presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica e um dos integrantes do grupo técnico, 80% das doenças raras são genéticas.

A discussão sobre a atenção a portadores desses problemas na rede pública já ocorre há sete anos, segundo Galera. "Desde então, nada andou. Saiu a portaria, mas a implementação não foi para frente."

O geneticista diz que apesar de as negociações sobre a política de doenças raras terem sido "bastante ágeis", há ainda muito a se fazer em relação ao diagnóstico e o tratamento dessas doenças.

"Todos estão em um fogo cruzado. O paciente, angustiado, entra na justiça para pedir o tratamento, porque tem direito. O gestor de saúde local fica diante de um problema sério, porque pode não ter dinheiro para investir tudo isso em uma pessoa só. Quem acaba decidindo é o juiz, que não tem critério técnico para isso", diz Galera.

Para algumas dessas doenças, como a de Gaucher e a mucopolissacaridose tipo 1, o tratamento custa até R$ 30 mil mensais por paciente.

Doenças genéticas como essas, que causam erros no metabolismo, são as poucas para as quais há opções de tratamento.

Wanderlei Cento Fante, 51, fundador da Abraff (associação dos portadores da doença de Fabry), afirma que faltam políticas públicas.

"Nosso tratamento não está na lista do SUS, não existe outra forma de ter acesso além do processo judicial."

Por isso, Galera diz que o primeiro passo é definir protocolos que estabeleçam critérios diagnósticos e inclusão de tratamento no SUS.

"Tem que definir que o paciente com os sintomas x, y e z recebe o remédio. Se tiver só o x, não. Isso traz a discussão para o plano técnico", afirma.

Segundo o geneticista, o fato de os remédios serem novos e caros aumenta a necessidade de haver critérios médicos para sua distribuição.

"A longo prazo, os efeitos dos medicamentos podem não ser tão bons quanto se espera. É absurdo que um juiz decida sobre a prescrição de um tratamento."

A doença de Gaucher foi a primeira a contar com protocolo de atendimento definido pelo ministério, que compra os remédios e os distribui aos portadores.

11 abril 2012

Família busca cura para menina com síndrome rara que destrói rosto

Dina Karim | BBC | 10.04.12
Uma família de Manchester, na Inglaterra, está tentando conseguir uma cirurgia nos Estados Unidos para curar uma síndrome rara que está destruindo o rosto da filha de três anos.
Há um ano, a criança, Maha Asghar, foi diagnosticada com a Síndrome Parry-Romberg, um problema facial raro que afeta uma em um milhão de pessoas.
A doença faz com que o sistema imunológico ataque a criança e já está começando a destruir o rosto de Maha.
Shameem Asghar conta que a família já conseguiu
levantar 50 mil libras para Maha (Foto: BBC)

A família está tentando levantar 70 mil libras (mais de R$ 200 mil) para conseguir fazer o tratamento.
O National Health Service (NHS), o serviço público de saúde britânico, oferece cirurgia plástica para estes casos apenas a partir dos 16 anos, mas a família acredita que será tarde demais para Maha e quer levá-la para fazer tratamento nos Estados Unidos o mais rápido possível.
"No momento está afetando a visão dela e esta é minha principal preocupação, pois pode deixá-la sem enxergar", disse a mãe da criança, Shameem Asghar.
"Está destruindo os ossos, está destruindo a língua e a gengiva e causando muitos danos atrás da orelha, o que pode afetar a audição. Ela pode ter episódios de dor que podem durar de duas a três horas e é uma dor insuportável", descreveu a mãe da criança.
"É bem difícil assistir (às crises) sabendo o que pode acontecer. É como se estivéssemos em uma montanha-russa emocional", acrescentou.

Técnica pioneira

Até o momento, a família de Maha Ashghar conseguiu levantar 50 mil libras (quase R$ 145 mil) promovendo eventos e espera levar Maha para fazer a cirurgia em maio.
Shameem Asghar afirma que o NHS ofereceu o fornecimento do medicamento metotrexato, cujos efeitos colaterais "podem afetar os rins, podem até matá-la".
O professor de cirurgia John Siebert do Hospital da Universidade do Wisconsin, nos Estados Unidos, é o pioneiro em intervenções precoces nestes casos. Nestes procedimentos, o médico usa a reconstrução microcirúrgica para reparar a deformação.
A cirurgia de Siebert envolve a retirada de tecidos do próprio corpo do paciente e o transplante destes tecidos para o rosto.
O professor americano passou 20 anos aperfeiçoando a técnica que pode não apenas reparar a deformação, mas também mudar a biologia da doença e parar seu avanço.
Até o momento a cirurgia foi feita em 120 pacientes com a Síndrome de Parry-Romberg.
A doença, também conhecida como atrofia hemifacial progressiva, causa o encolhimento progressivo e a degeneração dos tecidos embaixo da pele, geralmente apenas em um lado do rosto.
A doença pode levar à perda da visão, dores fortes e convulsões. Ainda não existe cura.

15 março 2012

Mãe fala de luta para criar dois filhos que sofrem de doença rara

Philippa Roxby | BBC Brasil | 13.03.12

Em 2001, a inglesa Sara Hunt foi informada de que seus dois filhos sofriam de uma doença genética rara, que ataca o cérebro e o sistema nervoso e pode resultar em deficiência severa e morte.
A doença, Adrenoleucodistrofia (ALD), foi tema do filme "O Óleo de Lorenzo" estrelado por Susan Sarandon em 1992.

Alex desenvolveu os sintomas da doença
antes de poder tomar o Óleo de Lorenzo
O filme conta a história verdadeira de Lorenzo Odone, diagnosticado com ALD aos seis anos de idade.
Ignorando opiniões de médicos que diziam que o menino morreria dentro de cinco anos, seus pais criaram uma fórmula - uma combinação de ácido erúcico e ácido oléico - que permitiu que Lorenzo vivesse até a idade adulta. Ele morreu recentemente, aos 30 anos.
Anos mais tarde, estudos científicos finalmente comprovaram que o óleo, patenteado pelo pai de Lorenzo, Augusto Odone, diminui significativamente as chances de que portadores da anomalia genética desenvolvam a condição na infância.
Sintomas
Lorenzo começou a apresentar os sintomas de ALD aos seis anos de idade. Sua fala começou a ficar enrolada e ele caía inexplicavelmente.
O filho mais velho de Sara Hunt, Alex, tinha sete anos quando foi feito o seu diagnóstico. Os médicos disseram a Sara que a criança viveria apenas um ano. Na época, o irmão de Alex, Ayden, era apenas um bebê.
Como acontece com famílias afetadas por doenças raras, Sara se viu isolada. Havia pouquíssimas pessoas capazes de compreender e compartilhar de sua difícil realidade.
E o prognóstico era terrível: assistir, paralisada, enquanto os filhos eram lentamente devorados por uma doença incurável.
"Em um período de nove meses, Alex passou de menino saudável, que andava e falava, para um estado semivegetativo. Ele não conseguia andar, falar, engolir ou ver", disse Sara, que mora em Londres.
Pouca Gordura
A deterioração na saúde de Alex foi tão rápida que Sara mal podia assimilar os acontecimentos.
E era tarde demais para usar o Óleo de Lorenzo, que quando administrado antes de que a doença se manifeste, atrasa ou reduz os sintomas em crianças portadoras da anomalia genética.
O óleo não parece ser muito efetivo após o surgimento dos sintomas.
"A devastação só me atingiu após as coisas terem se acalmado um pouco. Eu estava tão ocupada tentando manter as coisas dentro da normalidade, com um bebê sapeca para cuidar, que liguei o piloto automático."
Quando os exames comprovaram que Ayden também tinha a anomalia genética, Sara e o parceiro puseram suas esperanças no Óleo de Lorenzo como forma de evitar que a ALD se manifestasse.
Aos 18 meses de idade, Ayden passou a seguir uma rigorosa dieta de pouca gordura. Durante anos, bebia colheradas do óleo diariamente.
"Ele se acostumou, mas o (sabor do) óleo é horrível. Não é gostoso de beber e Ayden não pôde comer chocolates ou outras guloseimas durante a infância."
Pessoas que sofrem de ALD não produzem uma proteína essencial, necessária para fabricar uma enzima que quebra ácidos graxos saturados de cadeias muito longas (VLCFAs na sigla em inglês) ingeridos como parte da dieta.
Estudos indicam que o Óleo de Lorenzo talvez ajude a diminuir os índices desses ácidos graxos.
No entanto, quando exames revelaram que a ALD havia começado a se manifestar no cérebro de Ayden, a única opção para ele era um transplante de medula de alto risco, que acabou sendo bem-sucedido.
"Todas as células do doador foram assimiladas, então ele não vai mais desenvolver ALD", disse Sara Hunt.
"Ele é um adolescente atrevido, fazendo o nível secundário na escola. (Quem o vê hoje) não sabe que ele teve um problema."
Doença Rara
Alastair Kent, presidente da entidade beneficente britânica Rare Disease UK, dedicada a auxiliar pessoas que sofrem de doenças raras, disse que 3,5 milhões de pessoas são afetadas na Grã-Bretanha por cerca de 6 mil doenças raras.
Por definição, uma doença rara é aquela que afeta menos do que cinco em cada 10 mil pessoas. A grande maioria, no entanto, afeta menos de uma em cada 100 mil pessoas.
O grande desafio, ele explica, é obter o diagnóstico correto rapidamente e depois acessar o tratamento certo.
"O treinamento de um médico pode fazer com que ele pense que uma doença rara é uma manifestação um pouco estranha de uma coisa comum, em vez de uma manifestação comum de uma doença estranha".
Kent disse que famílias afetadas por doenças raras acabam tendo de se apoiar em recursos próprios e em pessoas que estão na mesma situação.
Sara concorda. Por isso, em 2004, criou sua própria ONG, a ALD Life. A entidade oferece apoio e aconselhamento sobre a Adrenoleucodistrofia.
Seu filho Alex tem hoje 19 anos de idade. A ALD deixou-o completamente dependente e com grande dificuldade em se comunicar, mas a doença está estabilizada.
Ele recebe cuidados de uma equipe de enfermeiros e faz atividades que lhe permitem manter uma certa rotina e dão estrutura à sua vida.
"Ele só pode se comunicar piscando. Duas piscadas para sim, uma piscada para não. Ele deixa muito claro quando não gosta de algo", disse Sara, rindo.

03 março 2012

Vítimas de doenças raras convivem com a falta de especialistas e o alto custo do tratamento

Carolina Pimentel | Agência Brasil | 29.02.12
Brasília – Pelo menos uma vez por mês, a paranaense Bénie Bussmann, 37 anos, precisa ser hospitalizada. O quadro é dores intensas no abdômen e nas costas, além de náuseas. Os remédios aliviam os sintomas, mas não evitam novas crises. Essa rotina já dura cinco anos. Bénie é uma das brasileiras que sofrem de porfiria aguda, uma doença rara causada pela deficiência de uma enzima relacionada à hemoglobina.
Bénie sofreu a primeira crise de porfiria - doença hereditária - aos 15 anos de idade. Porém, o diagnóstico só foi confirmado há oito anos. Não se sabe ao certo quantas pessoas no mundo têm porfiria. Acredita-se que uma a cinco pessoas em cada 100 mil habitantes podem desenvolver algum tipo do distúrbio metabólico. No Brasil, a estimativa varia de 1.900 a 9.500 pessoas.
A subnotificação e o fato de não afetar tantas pessoas em comparação a outras enfermidades levam as doenças raras a serem desconhecidas até mesmo dos próprios médicos, resultando no diagnóstico tardio ou equivocado. Em alguns casos pode demorar 20 anos para a constatação de que uma pessoa sofre de doença rara. Em uma das crises, Bénie conta que a dor era tão intensa que um médico queria submetê-la a uma cirurgia.
Devido à porfiria, Bénie diz não ter tanta energia para fazer várias atividades e lembra que tem de tomar constantemente remédios para controlar as dores. Ela evita alguns tipos de medicamento, como analgésicos, que são verdadeiros estopins para uma crise. “Me sinto fraca, o braço treme e são fisgadas de dor. Não consigo nem tomar um gole de água que já sinto náuseas”, relata.
Nos momentos mais críticos, precisa ficar internada por vários dias, afastada do trabalho de pedagoga na rede pública de ensino em Curitiba. Além das dores, ainda tem de lidar com o preconceito em relação à doença. “Uma vez, uma colega deu uma indireta de que eu não iria trabalhar só por causa de uma dor na barriga”, conta Bénie, que é vice-presidenta da Associação Brasileira de Porfiria.
As mudanças de hábitos impostas pela doença afetaram também a vida pessoal da pedagoga. “Ele [o ex-marido] descobriu junto comigo a doença e não conseguiu lidar. Acho que não deu conta de lidar com a pessoa em que me transformei”.
No Dia Mundial das Doenças Raras, lembrado hoje (29), Bénie e outros brasileiros chamam a atenção para as dificuldades de enfrentar uma enfermidade que quase ninguém conhece. Entre elas estão a falta de médicos, laboratórios e hospitais especializados e o alto custo do tratamento - a maioria dos remédios não está disponível no Brasil e precisa ser importada.
“É de absoluta necessidade a conscientização da classe médica e da população em geral sobre os sintomas e o tratamento”, alerta Raquel Martins, presidenta da Associação Brasileira de Portadores de Angiodema Hereditário - doença genética que provoca inchaços em vários partes do corpo, inclusive na laringe.
Para ter acesso à medicação, muitos pacientes têm recorrido à Justiça. Apenas em 2011, o Ministério da Saúde desembolsou R$ 167 milhões para atender a 433 ações judiciais que determinavam a compra de remédios para pessoas com doenças raras.
Há três anos, o governo federal lançou a Política Nacional de Atenção Integral em Genética Clínica com o objetivo de criar uma rede de assistência a pessoas com doenças raras, inclusive com centros de aconselhamento genético. Segundo o Ministério da Saúde, o entrave é que existem 5 mil alterações genéticas que podem levar à ocorrência dessas doenças. A maior parte delas não tem cura e nem tratamento com eficácia comprovada, e os remédios servem para amenizar os sintomas, segundo a pasta.
Atualmente, 80 hospitais são equipados para consultas em genética clínica e realizaram mais de 71 mil atendimentos no ano passado. Os gastos com exames de laboratórios e consultas somam cerca de R$ 4 milhões por ano, conforme o governo federal. Já existem  protocolos com orientações para indicação de remédios e exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para 18 tipos de doenças raras.
Na avaliação de entidades que representam pacientes com doenças raras, o atendimento precisa ser personalizado diante das demandas específicas. “A criação de um centro de referência em doenças genéticas com atenção especial, tratamento diferenciado, com orientação à família e com profissionais capacitados seria uma boa pedida. Não é algo tão impossível de fazer”, cobra Valério Oliveira, presidente da Associação Brasileira das Pessoas com Hemangionas e Lifangiomas - má-formação vascular que resulta em manchas  avermelhadas no rosto.